domingo, 7 de fevereiro de 2010

Uma Neosaldina por favor.


Que a grama do vizinho parece ser sempre mais verdejante que a nossa, todo mundo já sabe. Mas, há fases na vida em que esta sensação se intensifica bastante e parece mesmo que os jardins alheios foram adubados com maná e tiveram paisagismo do Burle Marx, enquanto o nosso tem lá um ou dois arbustos sofríveis. Não é exatamente agradável. Tendemos, nestas fases, a ficar escrutinando tudo o que há de negativo em nossa vida, ou em nós mesmos e os problemas e defeitos (ou ao menos o que consideramos desta forma) parecem se multiplicar mais que pipoca estourando na panela.

Ok, inúmeros, vamos deixar a terceira pessoa de lado, não sei se mais alguém passa por isto, me refiro, claro está, a mim mesma. Lembram-se do desenho do Garoto Enxaqueca? Então, é só colocar um sainha e eis-me a própria.

Antigamente me perguntaria porque raios tantas coisas desagradáveis estariam acontecendo a minha pessoa, culparia o azar, os deuses do Olimpo, o Sistema, o FMI, as leis de Mendel...

Os 30 anos porém, trazem consciência de que - alerta: não quero parecer livro de auto ajuda mas talvez pareça - a origem da maioria dos "problemas" somos nós mesmos, ou melhor, algum ponto de nós mesmos. Aquele ponto fraco, calcanhar de aquiles, que fingimos ignorar.

O duro é que saber não basta, há que se fazer algo com a informação e esta é a parte mais difícil.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

La vie en rose - Capítulo II


Olá inúmeros.
Embora possa parecer não, eu não abandonei o Água, as mais de duas semanas de total desatualização se devem a um motivo bem simples e - porque não dizer - bastante recorrente: se é verdade que o trabalho enobrece o homem, falta pouco para eu me tornar alto menbro de alguma família real...
Mas, deixando de lado as lamúrias e justificativas, vamos ao que interessa, o segundo capítulo da série La Vie en Rose.

Cadê o macarron que estava aqui?

Vocês já devem ter visto ou ouvido falar naqueles docinhos franceses que, de um tempo pra cá, viraram moda também por aqui, os macarrons. São uma espécie de biscoitinho cujo formato lembra um mini-hamburguer, colorido de acordo com o sabor: rosa, verde,caramelo...
Ir à França e não comer um desses é meio que um pecadozinho, equivalente a tomar um café no Brasil sem provar um pão de queijo.
Lá pelo final do meu terceiro dia em Paris, fazendo e vendo tantas coisas, me dei conta de que ainda não havia efetivamente provado tal iguaria e já estava mais do que na hora. Estávamos na Printemps, chiquérrima e abarrotada de gente, resolvi comer um macarron com estilo da Maison du Chocolat. Hmmm, lindo, apetitoso e cheiroso... Saí toda feliz com meu docinho em direção a escada, mas antes que eu pudesse dar a primeira mordida, ué? Cadê o macarron que estava aqui agora mesmo? Seria por acaso aquele que saiu rolando, rolando, rolando e está neste momento bem embaixo do pé daquele senhor?
Que raiva. Dinheiro , salivação e expectavivas jogados no lixo e nem senti o gostinho. Fui finalmente experimentar o doce no último dia de viagem, antes de ir para o aeroporto, perto do hotel, estava muito bom, mas fiquei com a sensação de que nenhum seria tão gostoso quanto aquele que não comi.


Oi, será que dá pra chegar um pouquinho mais pra lá?


Uma das coisas mais interessantes nos cafés e restaurantes parisienses é o que minha irmã e eu chamamos de economia de mesa. Não importa se o lugar é barato ou caro, se é descolado ou fino, se é para comer um croissant ou um pato com laranjas o diâmetro das mesas parece nunca ultrapassar os 50cm, e a distância entre elas também costuma ser ínfima e, em alguns casos, parece mesmo inexistir.

Imagine se, aqui em São Paulo, Santo Grão, Oscar Café ou mesmo a Cristallo da Oscar Freire resolvessem espremer seus clientes em minúsculas mesinhas, coladas umas às outras tanto que chega uma hora que parece tudo virar uma coisa só e você até acha que o senhor barbudo da esquerda e as crianças asiáticas da direita são mesmo seus amigos tomando um cafezinho contigo?!

Pois é, penso que o povo dos jardins daqui não iria achar muito legal, muvuca é coisa de povão ou - vá lá - de balada. Mas os frequentadores da parte fina do Champs Elysèes parecem achar o máximo tanto calor humano e não se importam em pagar trinta euros para tomar um café e comer um padacinho de bolo quase sem poder se mexer para colocar o açúcar na xícara.

Vai entender...


Mundo subterrâneo.


O metrô de Paris, ah, o metrô de Paris. É algo simplesmente fantástico em termos de malha! Você pode ir para absolutamente qualquer canto da cidade - e arredores - de metrô, sem ter que andar quilômetros atrás de uma estação. E o mais incrível é que ele nunca está abarrotado no estilo lata de sardinha, você pode até não conseguir sentar, mas ser encoxada jamais! E olha que a cidade estava apinhada de turistada andando de metrô junto à população local. Nota 10. Quam sabe daqui a uns 80 anos São Paulo se aproxime.

Maaaas nem tudo são flores e o meu lado Policarpo Quaresma muitas vezes se manisfestou em defesa no metrô de Sampa.

Tudo bem que você não precisa andar muito pelas ruas para encontrar uma estação de metrô, em compensação, uma vez dentro dela, prepare a sola de sapato! Corredores labirínticos e infinitos, se a estação estiver meio vazia e você deu o azar de assistir ao filme Ireversível alguma vez na vida, faça um esforço mental para esquecer! Tente lembrar do Corra Lola, Corra e manda ver no atletismo. Escada rolante? Luxo! Acessibilidade é palavra que não consta do dicionário subterrâneo de Paris. Mala pesada, carrinho de bebê, criança de colo, é tudo no muque mesmo. Por razões óbvias, não vi nenhum cadeirante por lá...

Como tudo em Paris as estações são super antigas, com aquela carinha meio de "túnel de esgoto reaproveitado". Claro que não esperava estações no estilo Linha Verde Paulista, mas uma reforminha aqui e outra ali, cairia bem.


Volto com o terceiro e mais glamouroso capíltulo. Jantar no Sena ces`t très jolie!!


domingo, 3 de janeiro de 2010

La vie en rose - Capítulo I


Creio que é algo bem comum, ao voltarmos de uma viagem que curtimos muito levamos um certo tempo até desapegar, até conseguir voltar a real realidade da nossa vida cotidiana. Então, sem constrangimento, admito viver uma certa depressão pós momentos la vie en rose vividos no curto espaço de oito dias passados em Paris. Confesso que ainda não havia dado tempo de sentir saudades da minha rotina paulistana quando chegou a hora de voltar. Mas, como a vida não é novela das nove, aproveito esta última tarde de preguicinha para compartilhar com vocês algumas observações e fatos sobre a cidade luz sob a ótica de uma brasileira de primeira viagem. Feito isto, buscarei, no âmago mais profundo do meu ser, forças para retomar o dia-a-dia glamour zero, com plus de TPM que é para ser a cereja do bolo.

- Primeiro mito quebrado: "se você não falar francês, será maltratada, os franceses detestam que falem em inglês"

Olha, a não ser que eu tenha dado, assim, uma sorte colossal de Deus ter colocado em meu caminho os TOP 100 simpatia da França, esta conversa é totalmente fiada. A comunicação lá rolava em inglês, espanhol, árabe, japonês, numa boa, e quando nada mais funcionava, sempre tinha a mímica para salvar a pátria, no final todo mundo se entendia sem stress. Tenho cá para mim que este papo deva ter sido plantado pelo dono da Aliança Francesa como forma de atrair alunos e, sabem como é, uma mentira repetida muitas vezes vira verdade.

- Estamos na Matrix?

Por mais que a história me desminta, afirmo que Paris é uma espécie de Disney, ou seja, projetada e construída para os turistas. Não é possível que uma cidade "normal" seja tão linda vista por qualquer ângulo! Mesmo desconsiderando os lugares embasbacantes como a Praça da Concórdia e os Jardins de Luxembrugo. Você vira um bequinho e pensa "aqui não vai ter nada", engano, lá está uma fonte, uma igreja, um café, um poste, tudo parecendo cenográfico de tão charmoso. Nada me convence do contrário, Paris na verdade é coisa do Projac.

- Lado B do Champs Elysès

Champs Elysès, luxo, glamour, beleza, sofisticação, riqueza e fama. Sim, tudo isto é verdade, mas o que eu não poderia imaginar era que a tão famosa avenida tivesse também o seu lado, digamos, pobre (ao menos na época das festas de final de ano). De um determinado ponto da Av em direção a Place de la Concorde foram montandas barraquinhas de madeira branca, imitando neve. Barraquinhas de "artesanato" vendendo todo o tipo de bugiganga inútil; barraquinhas de comida onde o cidadão que prepara a comida pega o dinheiro e te dá o troco com a mesma mão (argh); a galera comendo seus lanchinhos tranquilamente pelo meio da rua, nos banquinhos do jardim. Farofê tipo exportação...


- Where are you from?


Nem que eu tivesse ido à Italia teria visto tantos italianos, nem que eu tivesse ido ao Japão teria visto tantos japoneses. Os italianos faziam muito escândalo pra tudo, os japoneses tiravam muita foto e as japoneSAS compravam muitas grifes (momento invejinha). Os brasileiros estavam por toda a parte, mas isto nem precisava dizer.


- Classe até na hora do 1 e 2


Na época do Natal as ruas onde se localizam os grandes e chiquérrimos magazines parisienses, sobretudo à noite, se transformam em algo bem similar a Ladeira Porto Geral no quesito engarrafamento humano. Milhares de turistas se espremem para ver as vitrines (que são realmente incríveis) e a maravilhosa iluminação natalina. E, já que estão todos por ali mesmo, proque não dar uma entradinha? Resultado, as lojas ficam estrumbicadas de gente, não necessariamente comprando todos os Chanel, Lanvin, Dior, Alaya, Balenciagas (a exceção das japas) ali expostos. Achar um banheiro neste cenário não é tão fácil, portanto, após muito procurar, eis que surge dentro da Primtemps um tal de Point W/C, um misto de banheiro com loja de coisas fofas para banheiro que vão desde papel higiênico colorido até saboneteiras de madrepérola. Como para exatamente tudo naquela cidade, rolava uma filazinha básica e você pagava 1 euro para usar a cabine comum e 1,5 euros para usar a "cabine spa" que até agora não descobri do que se tratava (teria um ofurô ao lado da privada?!). O fato é que foi o xixi público mais limpinho que já fiz na vida: a cada cidadão que saia a funcionária entrava e higienizava tudo com álcool 70%, e a privada era daquelas super high tech com botõezinhos laterais. Achei muito fino, deveriam adotar aqui.


Próximas "aventuras": macarron de grife rolando pelo chão; calor humano nos cafés; navegando pelo Sena, metrô ou labirinto e mais Silviooo!










sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010. Uh lá lá!

Olá inúmeros! Estou aqui, de espanador em mãos para botar fora o pó que cobre este abandonado blog.
E como não dá para fugir de alguns clichês, antes de mais nada, quero desejar a todos um excelente 2010! Já que tivemos (não eu e você, claro, a humanidade) a idéia de dividir o tempo assim, em bloquinhos, para dar uma animada quando a nossa bateria começa a querer falhar, aproveitemos. Peguemos um dos calendários que ganhamos de presente de alguém, novinho em folha e olhemos para aquela página JANEIRO 2010 como um horizonte límpido a ser desbravado, uma ilha deserta que nos reserva frutas saborosas e flores coloridas e cheirosinhas mesmo que, na prática a gente saiba que não é beeeem assim...
Como já é de conhecimento de alguns, acabo de voltar de uma viagem de mini-férias a Paris e, devo confessar, ainda estou meio me estado de choque, mareada pelo fuso pelo voo super cansativo, perdoem-me se não faço um post de Boas Entradas melhor! Volto breve para comentar um tiquito da viagem, que, como todo ser humano ainda vou passar uns dias sobre o efeito "la vie en rose"...

domingo, 29 de novembro de 2009

Sorry

Desculpem inúmeros. Esta semana não deu pra atualizar o Água. Fim de ano é definitivamente algo que eu gostaria de pular do calendário. Alguém aí está com tempo para respirar?

domingo, 22 de novembro de 2009

Era uma vez...


Neste feriado jantando com amigos (só casais), obviamente, lá pelas tantas surgiu o "assunto" da minha solteirice crônica. Brincadeiras a parte, o marido de uma amiga minha, que não via há anos, pessoa super querida, inteligente e sensata faz aquela cara de quem tá buscanco no banco de dados mental um sujeito "bom partido" pra me apresentar, ao final da busca me vem com aquela frase "não, não conheço nenhum, porque pra apresentar pra Lu tem que ser uma cara assim e assado... (e dá-lhe sequência de adjetivos incríveis)". Interpretando isto como um elogio, agradeci a eles por me terem na mais alta conta, porém mais uma vez tentei entender o que até hoje não entendi.

Porque raios as pessoas pensam que para me namorar só serve um princípe da Disney??!! Claro que acho bom que os amigos me considerem alguém especial, mas acho que idealizam um pouco a minha pessoa, sinceramente. Não pretendo que saiam por aí dizendo que combino com qualquer tranqueira chave de cadeia, mas não é possível que todos os homens solteiros - não gays - e mortais sejam indignos da minha pessoa... Engraçado que este fenômeno se intensificou muito de uns anos pra cá e sem motivo aparente.

Quem não me conhece, e lê isto, deve pensar que eu sou assim um poço de atributos transcedentais, alguma mistura de Angelina Jolie com Leornado da Vinci e Albert Einstein e, ainda por cima, detentora da fortuna de Bill Gates. Devo confessar que, infelizmente, não. Mas não meeeeesmo.

Eu poderia perfeitamente enumerar aqui, sem grande esforço, uns quatrocentos e trinta e oito defeitos da minha pessoa. Mas, além de já tê-lo feito em outros posts, direta ou indiretamente, também não é do meu interesse fazer propaganda negativa a meu respeito. Fato é que, amigos queridos, inúmeros leitores, sinto muito em decepcioná-los mas não sou este mito. Até não acharia nada ruim ser, se pudesse ter compensações, tais como dinheiro, viagens, honras e glória, como naquele desenho antigo do Pica-Pau. Agora, pra ficar só com a parte chata, não quero não, viu.
Acho que vou até ali conversar com a fada madrinha para ver o que ela tem a me dizer sobre isto...

Hopes and Fears - Parte III

Para quem não sabe do que se trata, favor voltar um pouquinho nas postagens e porcurar pelas partes I e II. Obrigada.



No começo é quase impossível acreditar que você será capaz de fazer um percurso simples, mesmo num bairro tranquilo, sem bater em algum poste, atropelar alguém, ou mesmo infartar, tamanho o nervosismo e inabilidade com o carro.

Aos poucos aquele sensação de "ei, não foi tão ruim assim" vai aumentando e você vai ficando mais confiante, semana após semana, você nota os progressos. Os percursos vão aumentando, a velocidade também, as marchas vão sendo trocadas 1°, 2°, 3° oooops 4°? 5° ??!! Eu, em 5°?!!

De repente, eis você na Radial Leste, 23 de Maio, se achando o máximo. Neste processo, existem as recaídas, aquelas aulas que são péssimas, nas quais você tem certeza de que desaprendeu tudo... Mas, nada como um dia após o outro, com doses de muita perseverança. Aquela cena de você dirigindo sozinha e confiante por aí, já não parece tanto com um filme de ficção científica.

Eis que a teraupeta declara que você está, enfim, pronta para passar para a segunda fase do tratatamento: as tarefas. As tarefas consistem em fazer pequenos percursos, todos os dias, sozinha,com o seu próprio carro. Longe da proteção do carro da clínica, sem AT`s por perto... Parece fácil, mas, acreditem, para um fóbico em tratamento não é MESMO. Você que até ontem estava pagando de gatinha na Juscelino Kubitschek volta a tremer na base para dar uma simples volta no quarteirão. Toda a insegurança volta e cumprir as tarefas diárias parece uma tortura. Esta recaída é comum e já esperada pelo psicólogo nesta fase do tratamento, é aí que a gente vai lutar não contra a falta de técnica, de domínio mecânico do carro, mas sim com a gente mesmo. Tudo vem à tona. Vou atrapalhar os outros na rua? Será que vão ficar me olhando? O carro vai morrer? O que eu vou fazer diante de uma situação inesperada, vou ter agilidade pra sair?
Ligar o carro, sair da garagem, o coração dispara.

Continua...