domingo, 22 de novembro de 2009

Era uma vez...


Neste feriado jantando com amigos (só casais), obviamente, lá pelas tantas surgiu o "assunto" da minha solteirice crônica. Brincadeiras a parte, o marido de uma amiga minha, que não via há anos, pessoa super querida, inteligente e sensata faz aquela cara de quem tá buscanco no banco de dados mental um sujeito "bom partido" pra me apresentar, ao final da busca me vem com aquela frase "não, não conheço nenhum, porque pra apresentar pra Lu tem que ser uma cara assim e assado... (e dá-lhe sequência de adjetivos incríveis)". Interpretando isto como um elogio, agradeci a eles por me terem na mais alta conta, porém mais uma vez tentei entender o que até hoje não entendi.

Porque raios as pessoas pensam que para me namorar só serve um princípe da Disney??!! Claro que acho bom que os amigos me considerem alguém especial, mas acho que idealizam um pouco a minha pessoa, sinceramente. Não pretendo que saiam por aí dizendo que combino com qualquer tranqueira chave de cadeia, mas não é possível que todos os homens solteiros - não gays - e mortais sejam indignos da minha pessoa... Engraçado que este fenômeno se intensificou muito de uns anos pra cá e sem motivo aparente.

Quem não me conhece, e lê isto, deve pensar que eu sou assim um poço de atributos transcedentais, alguma mistura de Angelina Jolie com Leornado da Vinci e Albert Einstein e, ainda por cima, detentora da fortuna de Bill Gates. Devo confessar que, infelizmente, não. Mas não meeeeesmo.

Eu poderia perfeitamente enumerar aqui, sem grande esforço, uns quatrocentos e trinta e oito defeitos da minha pessoa. Mas, além de já tê-lo feito em outros posts, direta ou indiretamente, também não é do meu interesse fazer propaganda negativa a meu respeito. Fato é que, amigos queridos, inúmeros leitores, sinto muito em decepcioná-los mas não sou este mito. Até não acharia nada ruim ser, se pudesse ter compensações, tais como dinheiro, viagens, honras e glória, como naquele desenho antigo do Pica-Pau. Agora, pra ficar só com a parte chata, não quero não, viu.
Acho que vou até ali conversar com a fada madrinha para ver o que ela tem a me dizer sobre isto...

Hopes and Fears - Parte III

Para quem não sabe do que se trata, favor voltar um pouquinho nas postagens e porcurar pelas partes I e II. Obrigada.



No começo é quase impossível acreditar que você será capaz de fazer um percurso simples, mesmo num bairro tranquilo, sem bater em algum poste, atropelar alguém, ou mesmo infartar, tamanho o nervosismo e inabilidade com o carro.

Aos poucos aquele sensação de "ei, não foi tão ruim assim" vai aumentando e você vai ficando mais confiante, semana após semana, você nota os progressos. Os percursos vão aumentando, a velocidade também, as marchas vão sendo trocadas 1°, 2°, 3° oooops 4°? 5° ??!! Eu, em 5°?!!

De repente, eis você na Radial Leste, 23 de Maio, se achando o máximo. Neste processo, existem as recaídas, aquelas aulas que são péssimas, nas quais você tem certeza de que desaprendeu tudo... Mas, nada como um dia após o outro, com doses de muita perseverança. Aquela cena de você dirigindo sozinha e confiante por aí, já não parece tanto com um filme de ficção científica.

Eis que a teraupeta declara que você está, enfim, pronta para passar para a segunda fase do tratatamento: as tarefas. As tarefas consistem em fazer pequenos percursos, todos os dias, sozinha,com o seu próprio carro. Longe da proteção do carro da clínica, sem AT`s por perto... Parece fácil, mas, acreditem, para um fóbico em tratamento não é MESMO. Você que até ontem estava pagando de gatinha na Juscelino Kubitschek volta a tremer na base para dar uma simples volta no quarteirão. Toda a insegurança volta e cumprir as tarefas diárias parece uma tortura. Esta recaída é comum e já esperada pelo psicólogo nesta fase do tratamento, é aí que a gente vai lutar não contra a falta de técnica, de domínio mecânico do carro, mas sim com a gente mesmo. Tudo vem à tona. Vou atrapalhar os outros na rua? Será que vão ficar me olhando? O carro vai morrer? O que eu vou fazer diante de uma situação inesperada, vou ter agilidade pra sair?
Ligar o carro, sair da garagem, o coração dispara.

Continua...

domingo, 15 de novembro de 2009

De novo.

Olá inúmeros! Quase não passo por aqui esta semana... O fantasminha da falta de tempo me assombra novamente "buuuuuuuhhhh". Como todos já perceberam, utilizo um tiquinho do meu final de semana para atualizar o Água (pois nos outros 05 dias é humanamente impossível, a não ser que eu abra mão de algumas frivolidades, tais como dormir e comer), e alguns weekends parecem durar apenas quinze minutos... Sendo assim, fico devendo a vocês a continuação da saga "Hopes and Fears", que não é nenhum Crepúsculo, mas tem lá seus seguidores. Prometo postar a parte III em breve, ok?

domingo, 8 de novembro de 2009

Highlights Maquinária

Abaixo um post mais, digamos, focado na emoção do show. Aqui, apenas alguns comentários que pre-ci-so fazer!

- Dave Navarro (guitarrista do Janes Adction, pra quem não sabe) é muito, mas muito gostoso! Nossa, imaginava, mas ao vivo...ui,ui, meus sais.

- Ficar na grade tem uma série de vantagens, além das óbvias ver a banda mais de perto, eventualmente interagir com o artista e tal. Se você passar mal, está a 03 passos dos bombeiros, super mais safe do que ficar lá atrás. Adoro.

- O Murphy me acompanhou mais uma vez. Justamente ontem que vários gatinhos, alguns beeem interessantes, me lançaram olhares cobiçosos (olha que expressão mais bonita!), eu simplesmente estava sem condições de pensar nisso. Só via palco, banda, set list e Mike Patton na minha frente. Pergunta onde todos eles se escondem nos outros dias? Não sei.

- Sempre tem uma loira mocréia para atrapalhar. Por causa de uma delas não cantei no microfone do Patton. Abaixo as loiras mocréias!

- Muita, mas muita dor no coração por ter perdido o show da Nação...

- Banheiro químico, definitivamente, é uó! Será que não dá pra inventar uma coisa melhor? Algo que não pareça que você está fazendo xixi dentro de uma caçamba de coleta seletiva?

- Se tivesse uma entrada exclusiva no festival para as pessoas não tatuadas, acho que só eu passaria pelo portão!

- O botox ainda vai demorar a rolar! A moça fez muita questão de ver o RG antes de me dar a pulseirinha de Eu sou maior de 18 anos.

- Consegui enfiar o dedo dentro da boca do carinha que estava atrás de mim no momento da empolgação! Não me perguntem como, só sei que consegui e senti até os dentes do coitado... Será que foi por isso que ele trocou de lugar com uma moça e foi lá pra trás?

- Graças a Deus o Mike cantou com o terno vermelho, porque aquele salmão é de doer!!

- Nestas horas nego tudo o que digo a respeito de não fazer questão de ter um IPhone. Que inveja de quem conseguiu fazer vídeos dignos e não aquela coisa que consegui com o meu celular. Não dá pra identificar se era show do FNM ou das Pussicat Dolls...

- O Felipe Andreolli é bem mais gatinho ao vivo do que na TV.

- É bem bizarro, com toda a tecnologia que hoje já existe, um festival deste porte não ter uma alternativa melhor para o caso de chuva do que o povo correr para cobrir as coisas com saco plástico! Gente, que pelo menos sejam de tamanho adequado e todos da mesma cor! Parecia que pegaram os sacos de lixo do banheiro!

- O Perry Farrell é muito simpático e querido com o público, e macacão de lurex e dançarinas japas loiras com figurinos de cabaré são realmente tudo, adorei.

- Ir a show em local aberto e solo gramado de sandália plataforma seria falta de noção ou um novo esporte radical?

- Como podem ser necessários 05 seguranças fortões para retirar um carinha magrelo do palco? Gente, aquele menino deve tomar muito fosfosól ou estava possuido por algum hospedeiro de outro planeta!

- Deu até dó de ver o Mike mandar vários "fuck you, you fuck you!! para o carinha do microfone. De certo o emprego deste cidadão dançou... Mas, caramba, não sabem que o cara é metódico, vão colocar o estágiário pra cuidar do microfone da estrela mor do festival?!!

- Aliás, tendo em vista que o Mike se desloca naquele palco (e para fora dele) feito um doido será que não rolava um microfone sem fio, minha gente?!!

- Sim, a chácara do Jockey é longe pra dedéu!! Vamos voltar a fazer show no Pacaembu, hein Kassab? É perto, é uma gracinha, todo mundo fica feliz.

Puro Êxtase


Vamos ver quem adivinha sobre o que vou postar esta semana? Hein, hein, hein? Maçã do amor para quem respondeu: Show do Faith no More. Óbvio.
Catarse. Creio que nenhum termo é capaz de descrever melhor o que vivenciei (amos) na noite de ontem. Foram meses de espera desde que a reunião da banda foi anunciada e ontem, o dia que parecia tããão distante chegou e foi avassalador.
Foi como voltar a adolescência, ao ano de 1991, aos meus 13 anos, só que dez vezes melhor.
De todas as criações do homem, em todos os campos da sensibilidade e do conhecimento, a música é o que mais o aproxima dos deuses. Como artista, penso que toda arte é sublime e como (ex) atriz tenho no teatro minha maior paixão, mas admito que o poder da música em conectar as pessoas é insuperável. E isto fica evidente em noites como a de ontem. É lindo ver milhares de pessoas em êxtase, hipnotizadas. Marmanjões chorando, gente que em qualquer outro contexto não teria nada, absolutamente nada em comum, virar irmão por 1h30min. Pisão no pé não doi, a lesão muscular ainda não curada você esquece (embora hoje ela esteja se fazendo lembrar, e muito!), chuva torrencial vira garoazinha besta.
Gastei uma grana num ingresso criminosamente caro, mas valeu ficar na grade, quer dizer, ser da segunda fileira (humpf). Ver Mike Patton a menos de um metro de distância foi inacreditável, ficar a 1mm de tocá-lo deu muita raiva!!! Não tem jeito, nem explicação,e minha redação não encontra meios de verbalizar. Do alto de meus 32 anos de idade, de todo o meu senso crítico - que não é pouco - de toda a minha racionalidade, virei tiete, como já era previsto.
Se tivesse grana pegaria hoje um avião rumo a BH para assistir ao último show no Brasil. Um daqueles momentos na vida que a gente quer que dure para sempre, e só pode entender quem compartilhou da mesma emoção, quem é realmente fã.

Não posso mais criticar os Corintianos no momento do gol do Ronaldo, vai ver que é isso que eles sentem...
Vou levar alguns dias ainda para conseguir "voltar a realidade". Sabe aqueles filmes antigos em que a mocinha da cidade pequena queria fugir com o circo? Me senti meio assim ontem, querendo largar tudo e virar roadie, ou, melhor ainda, uma nova Penny Lane.
Agora, é guardar as fotos e os vídeos de recordação e aguardar um novo show, quem sabe um dia.
Obrigada "meninos"!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Hopes and Fears - Parte II

Conforme prometido, continuo de onde parei o post sobre meu medo de dirigir, contando para vocês sobre a terapia comportamental que comecei a fazer como último recurso para ultrapassar esta barreira.
Como já mencionei, o tratamento é feito tanto dentro como fora do carro. Nas aulas propriamente ditas você dirige o carro da clinica acompanhado de um assistente terapêutico. Conhecidos como ATs, são seres dotados de infinita paciência e calma inabalável. Você pode estar chorando, batendo, xingando, maldizendo cinco gerações passadas e futuras da sua família, ao contrário de qualquer acompanhante "normal", eles estarão lá para passar as orientações pertinentes, mantê-la calma e garantir que você vai continuar dirigindo até o final da aula, haja o que houver. Em hipótese alguma vão pegar o carro para você e só irão interferir diretamente nas suas decisões em caso de necessidade extrema.
Além das aulas, fazemos duas horas semanais de terapia em grupo. Ou seja, pessoas que compartilham da mesma dificuldade se reunem, sob orientação de uma psicóloga, para compartilhar suas dificuldades, sua evolução, seus tropeços... Esta talvez seja a parte mais importante do tratamento, através do grupo você se motiva, entende pelo exemplo dos outros as sua próprias dificuldades e, sobretudo, deixa de se sentir um ET ou uma minhoca. Saber que pessoas de profissões, idades e vivências tão distintas compartilham a mesma dificuldade traz uma sensação de alento muito grande, pela primeira vez você sente que não é a única, que não está sozinha.
Dentro desta dinâmica semanal (aula + grupo) o tratamento é composto de quatro etapas: Reaprendizagem, Percursos, Tarefas e Objetivos. Sendo os dois primeiros feitos no carro da clínica, com os ATs, e os dois últimos com seu próprio carro e sozinha. SOZINHA + CARRO, para os que tem medo, costuma ser similar a ALMADINEJHAD + ARMAS NUCLEARES, ou seja, sinal de tragédia iminente.
Continua...

domingo, 25 de outubro de 2009

Hopes and Fears - Part I


Meu post de hoje, certamente, não encontrará eco em muitos de vocês meus inúmeros leitores. Todavia, é inevitável que eu escreva sobre isto, na verdade, é mesmo incrível que eu ainda não o tenha feito.
Eu tenho medo de dirigir. Sim. Sei que para muitos isto soa tão ou mais estranho do que alguém dizer que tem medo de tomar banho (tirando o Cascão, claro) ou medo de pentear os cabelos (tirando quem tem dreadlocks, claro).
Tirei minha habilitação tardiamente, com 2o e poucos anos, após três tentativas, e jamais, em momento algum, tive a sensação de prazer ao segurar um volante de automóvel.
Carteira de motorista na mão, parecia que finalmente eu iria começar a dirigir de verdade por aí. Cadê que veio a coragem de sair sozinha? Aos trancos e barrancos, sempre com as pernas tremendo, as mãos suando, o coração batendo a 578 por minuto, a certeza absoluta de que a qualquer momento eu iria me envolver num acidente gravíssimo, ia eu dando minhas voltinhas pelo bairro, fazendo barbeiragens mil, sempre com meu pai ou irmã a tiracolo. Fingia não perceber que sofrer tanto daquele jeito não podia ser algo normal. Até que, um belo domingo, numa destas voltinhas que mais pareciam uma tortura chinesa, bati o carro no muro de uma casa. Ninguém se machucou, houve uma pequena avaria no veículo e pronto, era o "pretexto" que eu precisava para declarar, aos prantos, a la Scarllet O`Hara: jamais dirigirei um carro novamente! Esta coisa não é para mim.
Renovei a CNH, quando chegou a época, para poder usá-la como um RG que cabe melhor na carteira, e só. A fronteira entre o banco do passageiro e o do motorista parecia mais intransponível que a do México para os EUA sem visto e passaporte.
Desnecessário dizer que isto sempre foi um fator limitante em minha vida. Fato agravado pelo fato de eu morar em São Paulo, cidade gigante, onde tudo é longe e, se ficar parado no trânsito dentro de um carro é irritante, muito mais irritante é ficar parado no ponto de ônibus por horas, depois desafiar as leis mais elementares da física em locais onde o mesmo espaço é ocupado ao mesmo tempo por uns cinco corpos, em média. Não há cabelo, perfume francês ou roupa bem passada que resista a um simples trajeto casa-trabalho. Você sai parecendo uma alta executiva e chega ao escritório no melhor estilo pós-guerra. Isto sem contar o selo "Mala sem Alça Testified Quality" que fica grudado permanentemente em sua testa. Qualquer festa, baladinha, show, eventos em geral e a pergunta que não quer calar é: quem vai dar carona para a Luciana? Seus horários sempre tem que se ajustar a agenda de terceiros e quartos. Quer chegar mais cedo? Ir embora mais tarde? Só dando uma de Angélica e indo de táxi, caso contrário o dono do carro tem sempre o mando da partida. Quanto nervoso já passei por conta disto, meu Deus!
Fora toda a vergonha de estranhos. "Você não veio de carro? Não, eu não dirijo. Ah, não?" A pessoa te olha com aquela cara de "nossa, como assim?" Se para por aí, tudo bem. O duro é quando ela resolve esticar a conversa. "Mas porque? Você não tem carta? Tenho. É que eu tenho medo." Pronto. Basta para ela dar uma risadinha cujo subexto é. "Nossa, que banana! Esta aí não deve nem conseguir falar ao telefone e anotar um endereço ao mesmo tempo. Será que ela soma 2 +2?"
Sempre há os bem intencionados que tentam te animar, te dar uma força. "Ah, mas todo mundo tem medo no começo. Você tem que pegar o carro e sair. Só se jogando no trânsito é que a gente pega a prática. Isto de fobia é bobagem Imagina! Dirigir é uma coisa tão comum. Todo mundo dirige!!" E blá,blá.blá.
Muitas vezes, a pessoa que diz isto é do tipo que não se aproxima da sacada do apartamento por que tem "receio",ou passa mal em provador de loja, porque é "muito apertado". Mas tudo bem. São fobias socialmente aceitáveis. Agora,medo de dirigir? Só sendo muito looser...
Cansada de passar nervoso, deixar de fazer coisas, deixar de ir a lugares que queria,de me sentir humilhada, em janeiro de 2009, como último recurso, procurei uma clínica psicológica e começei um tratamento de terapia comportamental focado em medo de dirigir. Basicamente o tratamento consiste em aulas de direção e terapia em grupo. O que aconteceu? Conto no próximo post.